O Artista e a Segunda Pessoa

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Este final de semana fui visitar a exposição de esculturas do artista plástico Elias Muradi, no Solo Sagrado de Guarapiranga, local que será assunto do próximo post e, antes de conhecer suas obras, quis saber mais sobre esse intrigante escultor e seu interesse pela arte.

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Numa visita ao Japão, a percepção do artista foi marcada pelo senso estético aprimorado em centenas de anos e impresso nas coisas, com matéria e espírito.

Planos, tablados, materiais, texturas, superfícies e cores, tomaram conta do seu sentido de criação.

Azul celeste e ônix, podem representar o céu, diurno e noturno, o dourado pode criar uma linha de impossibilidade, nem tudo é acessível, que se exprime na metáfora da presença e ausência.

Na construção das peças Elias Muradi considera a convivência, a proximidade e a presença do outro, como possibilidade.

Então a segunda pessoa seria aquela possível de ser descoberta na alma de cada um, como seres em contínua busca.

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SBL: Elias me fale um pouco de você

Elias Muradi: Sempre tive inclinação e interesse pelo desenho, aprendi os primeiros passos com minha mãe.Desde muito cedo as lembranças da infância, estão ligadas às pinturas que ela fazia e a chance de usar algumas vezes seu material.

Dediquei bom tempo à pintura, mas em algum momento, por volta de 1993, iniciei pesquisas com relevo e que acabaram me direcionando para a escultura.

Entre os anos de 2003 e 2011, passei a não ver muito sentido no que fazia, então comecei a lecionar e, o pouco que produzia estava ligado ao desenho.

Aos poucos percebi que o pensamento ligado à produção e criação não cessa, então retornei com outros objetivos, outras necessidades e, talvez mais delicadeza para tratar de questões do dia a dia.

Percebi que o invisível move o visível e o pensamento reverbera e se propaga e, que o trabalho é parte disso.

SBL: Me fale um pouco dessas obras que estão em exposição.

Elias Muradi: Esta peça por exemplo, sugere ser um banco, mas é um uso mais mental do que propriamente para sentar, representa a aproximação de duas pessoas, essa separação de linhas vermelhas, representa o mundo de cada uma delas e, que pode ser rompido, não só pelas pessoas como também por suas histórias.

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Nessa outra peça, onde vemos dois sapatos e uma linha, seria a escalada do indivíduo e sua maneira de olhar a linha do horizonte, criando em si próprio uma segunda pessoa.

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Os pratos unidos por uma barra sugerem o dar e receber, tudo isso sempre ligado ao processo da convivência.

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As Ninfas foram moldadas sem referência, são uma ideia ou memória do feminino e das forças que movem o visível, a lâmina celeste que pigmenta o tampo das mesas pode retratar o firmamento.

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Peças em processo de execução, uma forma diferente de enxergar a arte.

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z43Este desenho foi feito a partir das peças prontas, num processo inverso de criação.

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Conheço Elias Muradi desde menino, e tive a graça de conviver com sua sensibilidade, generosidade e talento ao longo dos anos, hoje tenho muito orgulho de  entrevista-lo e poder escrever sobre sua vida artística e um pouco de sua obra.

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Posted by Lily Concilio
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